Os resultados clínicos comprovam a eficiência da Homeopatia

ENTREVISTA AO JORNAL A TARDE (Salvador)

O Dr. Paulo Cezar Maldonado é um nome conhecido quando se fala em Homeopatia, no Brasil. Nos anos 80 ele teve uma atuação destacada para que o método de tratamento criado por Hahnemann, há mais de 218 anos se tornasse uma especialidade médica em 1980. Depois trabalhou muito para implantá-la no INSS e também nos hospitais do Estado e município do Rio de Janeiro. Agora ele batalha  para que esta especialidade médica seja inserida no SUS.

O título de Doutor Honoris Causa, que recebeu da Faculdade de Ciências e Saúde de São Paulo, foi graças a esse trabalho de ensinar e difundir a Homeopatia no Brasil e no exterior, especialidade que abraçou desde que se formou em Medicina, pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Atualmente é docente em várias instituições e desde 2002 até hoje, integra a banca elaboradora de provas para especialista em Homeopatia da Associação Médica Homeopática Brasileira. Entre seus títulos estão o de professor e coordenador da Sociedade de Homeopatia do Rio de Janeiro e o de Membro da Câmara Técnica do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro.

Clinica há 41 anos e há sete, consulta aqui em Salvador, principalmente nas áreas de Pediatria, Alergia e Clínica Geral. Hoje é também vice-presidente da Associação Médica Homeopática Brasileira para a região Sudeste. Em seu site (www.paulocezarmaldonado.com.br) está escrito em destaque “TRATAMENTO HOMEOPÁTICO DESDE A VIDA INTRA UTERINA ATÉ O ENVELHECER”, ou seja, para ele a Homeopatia pode tratar e ajudar desde a gravidez, e é para a toda a vida. 

Entre tantas abordagens, o que o levou a escolher a homeopatia para tratar seus pacientes?
Há 41 anos, quando aluno da Universidade do Rio de Janeiro, influenciado por dois grandes médicos homeopatas brasileiros, Alfredo Eugênio Vervloet e José Barros da Silva, e acompanhando o  trabalho de ambulatório da universidade onde atuavam,  comprovei os claros resultados clínicos da Homeopatia, que considera o paciente como um todo, integralmente, levando em consideração a saúde do corpo e da mente e sua interação com o meio em que vive. Esta visão de saúde integral me levou a uma identificação maior com este método terapêutico. Percebi também a diferença principal do método terapêutico convencional, a Alopatia, que trata basicamente da doença, de seus sintomas e por partes, com suas várias especialidades o que não me sensibilizava.

E como o senhor avalia os resultados obtidos na clínica em todos esses anos?
Minha avaliação é a melhor possível. A Homeopatia tornou-se uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina a partir de 1980, quando médicos homeopatas entraram para os quadros dos hospitais do INSS (hoje SUS), dos estados e municípios, bem como nos  postos de saúde. Atualmente a nossa luta é entrar no SUS integralmente, o que se dará em breve.

Temos visto um grande trabalho preventivo com relação a doenças mais graves e epidêmicas, como dengue e a gripe influenza. Pode comentar sua experiência com estas patologias?
A Homeopatia tem como uma de suas principais características o tratamento preventivo da maioria das doenças, já que atua melhorando não só o sistema de defesa do organismo, como sobre a   emoção do paciente, que muitas vezes, em desequilíbrio, causa ou desencadeia mecanismos de doenças. Por isso, a pessoa estará  mais fortalecida e terá mais proteção aos germes agressores  e será mais difícil seu adoecimento. É lógico que qualquer um pode ser contaminado por uma virose – e a gripe é uma delas -,  mas a sua recuperação se dará geralmente como Hahnenmann, o criador da Homeopatia assegurava,”de uma forma suave, rápida e duradoura”. E com a grande vantagem de não apresentar efeitos colaterais. Outro exemplo, é no tratamento homeopático da dengue, altamente eficiente, recuperando e aliviando mais rapidamente os sintomas dolorosos e de mal-estar que acometem o paciente, estimulando em especial o seu sistema auto-imune.

Ainda há quem ache que a resposta a medicação homeopática é lenta. De onde vem este pensamento?
Quem se trata com a Homeopatia sabe que isto não corresponde à realidade. Se esta afirmação fosse verdadeira não poderíamos tratar de crianças, que são a grande maioria de nossos pacientes, junto  com suas mães, avós e outros familiares, e que por isso mesmo são as que mais percebem a rapidez da atuação do medicamento homeopático quando bem indicado. Agora, o que acontece com frequência é que o paciente, em geral, procura a Homeopatia depois de se tratar durante longo tempo com medicamentos alopáticos sem sucesso clínico, e  mesmo já sendo um paciente crônico, deseja sua cura de um dia para outro. Por exemplo, um paciente que há anos tem asma ou uma rinite alérgica, processos inflamatórios ou infecciosos como amigdalites, otites, sinusites e bronquites de repetição, ou um reumatismo, ou menopausa, ou enxaqueca e que leva apenas alguns meses em tratamento homeopático para se equilibrar e  ganhar qualidade de vida, pode-se dizer que apresentou uma evolução de tratamento lento? É claro que não. Tudo vai depender da medicação mais adequada para aquele paciente e de sua sensibilidade em resposta à mesma.

Quais outros grandes mitos em torno da Homeopatia?
Seria o fato de se afirmar que o medicamento homeopático é um placebo, ou seja, não conteria nenhum medicamento em realidade. Este é um conceito equivocado e já comprovado por estudos científicos, além de confirmado pelos  resultados clínicos que são obtidos na prática, em doenças agudas e crônicas de todos os tipos, em pacientes bebês, crianças, adultos, idosos e até em animais e plantas. Se a Homeopatia não tivesse ação medicamentosa, não seria uma especialidade médica reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, como todas as outras especialidades, desde 1980.  Há certamente muitos outros interesses e preconceito por trás deste mito, mas que não conseguem desestimular quem  já foi beneficiado  por um tratamento homeopático bem realizado. Aquele que sofre e recebe ajuda não esquece, e principalmente divulga que foi beneficiado. Esta propaganda é a melhor arma que pode existir e é o fator principal que mantém a Homeopatia viva há mais de 218 anos.

Qualquer doença pode ser tratada com Homeopatia? Pacientes que já se tratam com alopatia para controle de hipertensão e diabetes, por exemplo, podem ser tratados com medicação homeopática?
A Homeopatia pode tratar de qualquer patologia por si só, ou dependendo de casos mais graves específicos, junto com medicamentos alopáticos. Isso acontece porque ela não trata apenas da doença, mas da pessoa que está afetada. A depender da gravidade de cada um destes casos, poderá ser empregada ao mesmo tempo que os medicamentos alopáticos, com bons resultados para o paciente. Já nas emergências como infarto e AVC, num primeiro momento terão que ter internação e atendimentos específicos, mas, depois o tratamento homeopático poderá ter atuação fundamental para a recuperação do paciente, tratando das sequelas decorrentes dos eventos e da recuperação emocional dos indivíduos tratados.

O senhor disse que logo a Homeopatia estará inserida no Sistema Único de Saúde (SUS). Para o senhor a Homepatia vive sua fase de maior popularidade, no Brasil?
O Ministério da Saúde criou a PNPIC, que é a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, que se propõe a corrigir uma grave discrepância no campo dos direitos sociais: garantir aos usuários do SUS a liberdade de escolha na saúde, facultando o acesso à Homeopatia, a  Acupuntura e a Fitoterapia. Esta decisão resulta da vontade política do atual governo, mas para que esta proposta se constitua em direito, é preciso que a população se mobilize e declare o seu apoio e interesse. Sendo assim, peço aos leitores que desejem que a Homeopatia e as outras práticas integrativas estejam acessíveis nos postos de saúde, que apoiem a campanha Democracia na Saúde Já!, visitando o site www.ecomedicina.com.br e fazendo a sua assinatura eletrônica em apoio a PNPIC. Este movimento popular cresce a cada dia. Atualmente são cerca de 100 mil assinaturas e precisamos de  um milhão e meio.

Desde Hahnemann, o que avançou no tratamento homeopático?
Tudo evolui no mundo de hoje e a Homeopatia não poderia ficar parada no tempo. A pesquisa evolui cada vez mais, em todo o mundo, e no campo homeopático, procura, em especial, determinar quais os mecanismos de ação do medicamento através de pesquisas laboratoriais clínicas, pela física quântica e outros métodos científicos. Os resultados clínicos comprovam a eficiência deste método terapêutico e esperamos que as opiniões preconceituosas que ainda existem, sejam mais por ignorar os benefícios reais que muitas vezes só a Homeopatia é capaz de produzir.